24 setembro 2007

Tropa de Elite?

Cheguei ontem à noite de viagem e encontrei, por acaso, na cristaleira do Villaggio um DVD pirata do faladíssimo "Tropa de Elite".

Não me surpreendi ao saber que o autor da compra tinha sido um dos meus funcionários, já que a maior notícia sobre o filme é sua disseminação junto ao povão, via camêlos. Conseqüentemente, não poderia ser diferente no universo de garçons, cozinheiros e barmans.

Tampouco deverá surpreender os meus queridos leitores que, diante do piratão, bem ali nas minhas mãos, eu resistisse a trazê-lo pra casa e assistir, ontem mesmo, na madruga.

Fui assistindo, e comparando, cena a cena, com "Cidade de Deus", de temática parecida. Um como o outro têm bom ritmo, cenas fortes, denúncias, boas interpretações (destaque para Wagner Moura, que certamente saltará para o estrelato mundial).

"Tropa" no entanto, me chamou a atenção sob dois aspectos. O primeiro é a inevitável queda para o gênero "ação", a exemplo de similares americanos, com soldados de aço, heróis incorruptíveis, idealistas e abnegados e o bandido morrendo no duelo final. Estereótipos é que não faltam.

A diferença é que, enquanto aqui os caras aqui, matam sem dó, torturam sem piedade, criam suas próprias leis, estamos tratando de dramatização de fatos reais. Lá, nas terras do Tio Sam, é ficção.

Nesse caso, poderiam ser os nossos policiais considerados heróis?

O outro é que os fatos (verídicos, como se informa na abertura) se passam em 1997 - dez anos atrás, portanto. Ora, de lá pra cá, com uma tropa "de elite" dessa, a criminalidade e o tráfico no Rio diminuíram um centésimo que fosse?

Como a resposta é um sonoro "não", fiquei em dúvida sobre a eficácia desse tipo de repressão, essa nata de policiais tão glamourizada no filme e que, na prática, não funciona para melhorar as comunidades carentes ou a sociedade como um todo.

Certamente quem defende o uso da força - somente - contra o crime terá sua sede de sangue saciada e irá adorar ver policiais brasileiros com jeitão de Rambo ou Scwharzenneger e treinamento à la Mossad, dizimando traficantes com precisão cirúrgica. Nesse quesito o filme realmente é "vibrante".

Na real, porém, a coisa só piora nas favelas cariocas, ao menos pelo que se vê no noticiário, daqui de Sampa. Alguém discorda?

Noves fora, um mérito tem que ser creditado: pela primeira vez na grande mídia é denunciada com ênfase a participação - fundamental - da velha e boa classe média branca, como financiadora do caos advindo do tráfico. É óbvio, ainda que muitos prefiram não ver: a venda da droga só existe porque muita gente gente compra e consome. E esse mercado consumidor não vive nos morros, não.

Enfim, deverá ser um grande sucesso de bilheteria. Mas, na boa, gostei mais de Cidade de Deus.

Um comentário:

  1. Zé...

    tô começando com o meu blog agora...
    mau sei usar isso aqui ainda... rs

    num msei o que um dia eu joguei no google (acredito que foi alguma música ou algo sobre algum artísta), e puxou seu blog...

    "LENTE DO ZÉ"

    fucei... fuceiii... fuceiii

    muito bom...
    sobre o comentário do filme "tropa de elite"... é bem crático...OTEMO!

    adoro críticas...

    enfim Zé...
    tô vendo que vc trabalha com a área de comunicação...
    e é essa área que eu declaradamente AMO!
    enttão...

    gostaria que me responde-se e me desse uns toques...

    qlq coisa se quiser mandar e-mal...

    PLIS mande...


    fernandametalera@gmail.com

    Valew!!


    Bjoo

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