29 agosto 2009

Cigarro e hipocrisia

Nos próximos dias falarei mais sobre o fim do Villaggio, incluindo o último capítulo da "saga", fotos, etc.

Por enquanto, queria postar um poema que conheci ontem, na última edição do sarau Sopa de Letrinhas. Nele, o poeta Marcelino Freire expõe, com muita felicidade, toda a hipocrisia e oportunismo político que revestem essa draconiana Lei Anti Fumo, que, a pretexto de cuidar da saúde dos brasileiros, serve pra jogar mais uma cortina de fumaça sobre os reais problemas nacionais, que todos conhecem, mas fingem não ver.

Marcelino: falou e disse!

É PROIBIDO FUMAR
(Marcelino Freire)

No bar. Onde acontecerá a próxima chacina. É proibido fumar. No boteco da BR onde a criança dança. Nua. É proibido fumar. No muquifo de Dona Pretinha. Nenhuma cinza. Nadinha. É proibido fumar. Dentro da barraca de cachorro quente. Junto a carne de gato. É proibido fumar. Dentro do banheiro da boite. Entre uma boquete. E outra boquete. É proibido. Na emergência do HR. Entre mortos e feridos. É proibido fumar. No pé-sujo. Da esquina da favela. Na boca do fumo. É proibido. Apagar bitucas no cativeiro. Na bunda da vítima. No salão de festas. Quando o salão for tomado. De assalto. É proibido fumar. Na pista de funk. Na casa lotada. Que desabará. Na Freguesia. É proibido fumar. Para o ar não ficar pesado. O povo sem fôlego. Respirar. É proibido fumar.

Nenhum comentário: